Cartas a Malcolm – Reflexões sobre o dialogo intimo entre o homem e Deus

Publicado: maio 26, 2010 em Literatura

Quando estava em tempos de escola costumava fazer “colas” para as provas e trabalhos em aula, mas por um motivo simples não as usava, quando eu “colava” eu estava estudando para a prova, memorizando o que eu achava importante pra aquela determinada atividade; a partir disso desenvolvi um método de estudo e raciocínio que pra mim funciona muito bem.

Quando eu leio um livro procuro sublinhar e demarcar os pontos chaves dos textos, e se julgar necessário faço algumas anotações junto ao texto para que depois eu reveja transcrito as sensações e os pensamentos que permeavam minha mente naquele momento passado.

Terminei de ler um livro que fala sobre Oração do C.S.Lewis, um autor que particularmente mudou e forjou muito dos meus conceitos práticos e literários sobre cristianismo, livros como Cristianismo Puro e Simples, Crônicas de Narnia, Cartas de um diabo a seu aprendiz, me ensinaram muito sobre realidades praticas e verdadeiras para um cristianismo pratico e real. Nesse livro, eu particular, ele disserta sobre Oração como um dialogo intimo e sincero entre o homem e Deus. Muito tocante e sensível, é um livro póstumo, não publicado em vida pelo autor, o que o torna ainda mais intimo pra mim, pelo fato de talvez nem ter sido revisado por ele.

Lembrando que os escritos do livro estão “entre aspas” e meus pensamentos seguem logo após um traço –, quando não por um silencio, pois costumo ficar sem ter o que pensar mediante a algumas afirmações.

“Nada torna um amigo ausente tão presente quanto uma discordância”.

“O culto perfeito na igreja seria aquele que transcorresse quase de forma imperceptível para nós, porque nossa atenção estaria voltada para Deus”.

“A mudança ajuda apenas a um grupo intermediário da congregação, que talvez nem represente a maioria”. – Isso se parece muito com o que tenho pensado nos últimos dias: Defender as minorias crescentes tem aberto uma ferida na grande maioria, ou seja a maior minoria que não podemos esquecer é a grande maioria sem voz.

“No céu haverá maior diversidade do que no inferno”. – Deus é muito mais criativo e gracioso do que o inferno todo, fato.

“Na oração verdadeira palavras são secundarias, são apenas os movimentos da batuta de um maestro qualquer, não a musica”. – a mente o versículo que diz o Espírito Santo intercede por nos com gemidos inexprimíveis.

“O Corpo também deve orar, não apenas a alma”. – em todo tempo louvarei ao Senhor

“Devo ser agente tanto quanto paciente. Estou pedindo para ser capacitado a realizar a vontade suprema”. – realizar a vontade divina com determinação

“Parece-me que nós, muitas vezes emudecidos num quase rancor, rejeitamos o bem que Deus oferece porque, naquele momento, esperávamos outro tipo de bem”. – a resposta pode não ser segundo as nossas expectativas.

“Mas será que esse FERVOR – a palavra a sublinhar aqui é esse – foi feito para durar? – queria não comentar isso, mas ele esta dizendo que nem sempre, alias mais pra quase nunca estaremos debaixo de um Fervor intenso…

“Perdoar uma vez não é difícil, mas perdoar sempre, e perdoar a mesma ofensa vez após vez sempre que ela acudir à misericórdia, essa é a verdadeira luta” – exatamente o que Deus faz por nos dia após dia.

“E a gloria é – bem, a gloria; a “beleza tão antiga e tão nova”, a “luz por trás do sol””. – lindo!

“Podemos criar escrúpulos, e escrúpulos são sempre ruins – sobretudo porque sempre nos desviam de nossos deveres verdadeiros”. – tenso

“Quando nosso coração nos condenar […] Deus é maior do que nosso coração”. – 1 João 3.20

“Nunca achei prudente, em algum momento, dizer a um aluno o que de fato pensamos sobre determinada situação. É muito mais importante que ele saiba o que fazer em seguida”. – não precisamos decorar o mapa todo, apenas ter ciência do próximo passo a dar.

“Se eu estiver correto, creio que posso dizer que quando nossa consciência nada nos apresenta de concreto, limitando-se a nos acusar ou a nos aprovar vagamente, só nos resta fazer coro com o poeta e clérigo inglês Herbert e dizer: “Paz, tagarela” – e seguir em frente”. – Entendo que a verdadeira Paz de Cristo é mais silenciosa e contemplativa, calma, serena e tranqüila.

“Sou canal, não fonte”. – Sou o leito, não a água do rio.

“Portanto, para que o homem seja efetivamente livre, Deus, nesse sentido, não deve ser livre”. – Deus, por meio do livre arbítrio dado ao homem, tornou-se cativo as minhas vontades e desejos de estar perto d’Ele ou não, aniquilando sua própria liberdade nisso. Absurdo!

Fim do capitulo VII – Os desejos humanos são imprevisíveis, mas dentro das “limitações” que o mundo espiritual pode impor. Tanto para o bem quanto para o mal.

– Jesus quando se tornou homem, pode ter saído do ponto de vista atemporal divino, entrando no mais humano pensamento temporal.

“… lemos que um anjo lhe apareceu e o “confortava” em Lucas 22.43, mas o termo em grego se aproxima mais de ser capacitado…” – Ser fortificado não é conforto é ser capacitado para vencer.

“Pode-se dar o caso de que, quanto mais perfeita for a criatura, tanto maior será em algum momento, a separação”? – entendo aqui que fomos criados muito parecidos com Deus, e muito nos foi dado e a nossa queda se tornou muito maior, nos distanciamos muito mais de Deus do que qualquer parte da sua criação poderia ter se distanciado, pelo fato de sermos muito parecido com Ele.

“Podemos suportar a recusa, não a indiferença”. – o não é muito mais aceitável do que o silencio de Deus.

“A grande obra de arte foi criada por amor a tudo o que ela faz e por tudo o que é, desde a curva de cada onda no mar ao vôo de cada inseto”. – lindo!

“O santo, por ser santo, prova que seu misticismo (se ele for mesmo místico, nem todos são) o conduziu a bom termo. O fato de que praticou o misticismo não comprova de forma alguma sua santidade”. – posso ser santo sem estar envolto em um invólucro místico, sinceramente prefiro assim.

“… pode haver um desejo meramente impulsivo, obstinado e ávido ate pelas coisas espirituais. Ele esta, a exemplo de nossos outros apetites, marcado para morrer na cruz. Contudo, ao ser crucificado, ele pode ser erguido dos mortos e passar a fazer parte da nossa bem-aventurança”. – algo da minha natureza morta e pecadora, pode ser convertido e útil?

“… oro muitas vezes pelos outros quando deveria estar fazendo algo por eles”. – aaaaiiiii !!!! … hipócrita burro que eu sou.

“Ele é o chão da nossa existência. Ele esta sempre dentro de nos e acima de nos, contrapondo-se a nos. Nossa realidade deriva da Sua à medida que, a cada momento, Ele se projeta em nos. Quanto mais profundo o nível dentro de nos de onde brota nossa oração, ou outro ato qualquer, tanto mais deriva dele, mas nem por isso é de forma alguma menos nosso. Pelo contrario, quanto mais nosso for, mais será d’Ele”. – isso mostra que Ele esta sempre no fundo do nosso coração como uma verdade intrínseca, por vezes confortante ou perturbadora.

“Não há palavras que não tenha origem na Palavra; não há atos que não brotem d’Ele, que é o ato”. – Ele é o Verbo vivo.

“Todo pecado é a distorção de uma energia soprada em nós”. – Refletir sobre isso.

“Envenenamos o vinho que Ele decanta em nós, assassinamos a melodia que Ele executa em nós, instrumentos dEle. Fazemos uma autocaricatura do retrato que Ele pinta de nós. Portanto, todo pecado, qualquer que seja é um sacrilégio.” – obrigado por me trazer a consciência de que sou nojento.

“A continuidade ontológica é, no meu entender, imutável, e ocorre entre Deus e um réprobo (ou um demônio) não menos do que entre Deus e um santo”. – o homem só peca por estar distante de Deus, automaticamente a mercê da ação do mal.

“Ele nada fará por Si mesmo que possa ser feito por Suas criaturas”. – Deus age depois que tomamos a iniciativa.

“Ele não se deu por satisfeito em ser tudo. Sua intenção é ser “tudo em todos”.” – Olha isso, ele quer ser tudo em mim!

“A luz pura caminha pela Terra; as trevas, acolhidas no seio da Divindade, sucumbem a ela. Onde, exceto na luz não criada, podem as trevas ser mergulhadas”? – Entendo que satanás só pode agir muito, muito distante de Deus, num espaço de morte criado por ele mesmo, perto da luz divina não há nenhum espaço para ação maligna.

“Nunca, em ultima analise, fazemos alguma coisa. Construímos apenas”.

“Também esta nas boas criaturas racionais como luz; nas más, como fogo, a principio como uma inquietude que arde, depois, como angustia ardente de uma presença que não é bem-vinda e a qual se resiste em vão”. – A presença divina pode causar dor. Isso quer dizer que o “fogo eterno” é presença eterna de Deus em consumir uma alma que se encontre em um estado eterno de congelamento / ódio / desprezo ante a Deus?

“É bom considerar santos determinados lugares, coisas e dias, pois, sem esses pontos de convergência ou lembretes, a crença em que tudo é santo e “grande com Deus” logo se reduz a um simples sentimento. Todavia, caso esses lugares, coisas e dias santos deixem de nos lembrar, caso apaguem de nossa consciência que todo solo é sagrado e toda sarça (impossível deixar de percebe-lo), uma Sarça Ardente, então os halos começam a causar dano. Por isso, A NECESSIDADE DE O PERIGO INCESSANTE DA RELIGIÃO”. – é necessário termos alguns dogmas e amuletos para vislumbrarmos algo palpável para associarmos a fé?

“Precede-nos, Senhor, em todos os nosso feitos, com teu favor mais gracioso, e favorece-nos com tua continua ajuda”.

“A alma um dia desperta, ou aguilhoada, ou exaltada pelo desejo de Deus, será inevitável (creio eu) despertar para o medo de perder esse Deus”. – quando estamos perto de Deus temos consciência do quão horrível é estar longe dEle, e isso pode nos aproximar ainda mais.

“A mentira é uma desilusão só quando cremos nela; todavia, uma mentira identificada é uma realidade – uma mentira real – e, nessa condição, pode ser muito destrutiva”.

“Na verdade, não deveríamos perguntar nunca “É de verdade?” acerca de coisa alguma, pois tudo é de verdade. A pergunta certa é “De verdade o que?”

– Deus é o autor consciente do que escreveu e também a platéia que julga o espetáculo, cabe a nós sermos fieis e íntegros pois Ele sabe de TUDO.
“Intensidade emocional em si mesma não serve como prova alguma de profundidade espiritual”. – Confundem barulho e gritaria com autoridade em Cristo, ta cheio de gente assim por ai, Deus me livre disso.

“Omitir ou desdenhar a oração de súplica pode às vezes, em minha opinião, brotar não da santidade superior, mas da falta de fé e da conseqüente preferência por níveis em que a indagação “Só faço coisas para mim mesmo?” não sobressai com tanta crueza aparente”.

“Oração, comece onde esta!” – Tudo a volta é motivo de uma oração de agradecimento e adoração.

“A visão não é a esperança da gloria, é uma exposição da própria gloria”. – isso é a fé, ver o que não pode ser visto.

“Contudo, não existem prazeres ruins, proibidos? Claro que sim. Apenas considero que, chamando-os de “prazeres ruins”, lançamos mão de uma espécie de estenografia. Queremos dizer “prazeres arrancados por atos proibidos”. O roubo da maça é ruim, não sua doçura. Essa doçura continua sendo um raio de luz da gloria. O que não mitiga o roubo. Torna-o pior. Há sacrilégio em roubar. Ofendemos uma coisa sagrada”.

“Não devemos ser capazes de adorar a Deus nas ocasiões mais ilustres se não adquirimos o habito de faze-lo nas mais triviais.”

“Transforme a ira de Deus em mera desaprovação esclarecida, e também transformara Seu amor em mero humanitarismo”. – Deus não é pra ser entendido é para ser reconhecido e obedecido.

“Sei que a ira do homem produz a justiça de Deus. Não porque é ira, mãos porque homem é homem (caído)”.

“Um sintoma fundamental da vida regenerada é uma percepção constante e constantemente aterrorizada da própria corrupção natural e (ao que parece) inalterável”. – A santidade traz a constante consciência de que estamos sempre sujeitos a queda, o contrario disso não é santo nem puro. Pessoas pecadoras costumam acreditar que não caem, quando já estão no chão.

“Afinal de contas, a ordem foi “Tomem e comam”, não “Tomem e entendam”. Mateus 26.26” – Não sou obrigado a entender ou achar que entendi determinada coisa, temer e obedecer, não exclui o fato de eu poder pensar e ponderar sobre algo ou situação.

“Bem, digamos agora a verdade, custe o que custar. A oração é enfadonha. Qualquer desculpa para preteri-la nunca é mal vinda. Quando acaba, espalha-se uma sensação de alivio e feriado sobre o restante do dia. Relutamos em começar. Deliciamo-nos em terminar. Enquanto estamos orando, mas não quando estamos lendo um romance ou resolvendo uma palavra cruzada, qualquer ninharia é suficiente para nos distrair”. – a humanidade sincera e dele me é linda, confortante e digna. Me traz perdão.

“Grande parte da nossa relutância em relação à oração com certeza se deve aos nossos pecados”. – Creio que quando nos santificamos, nos distanciamos do pecado, oração não é mais penitencia e sim comunhão, dialogo continuo com Deus.

“Se fossemos perfeitos, a oração não seria um dever, mas um deleite”. – Consciência: “A oração sempre será um esforço”.

“Os anjos nunca conheceram (em seu interior) o significado da palavra dever, e os mortos benditos há muito e com alegria se esquecerem dele”. – No céu a penitencia esforçada se transforma em comunhão eterna.

“Assim, chegamos à noção de que tudo que é tão livre quanto eles deve ser igualmente pouco importante”. – Importante = não forçado.

“No mundo perfeito e eterno, a Lei desaparecerá Mas os resultados de ter vivido em lealdade debaixo dela, não”. – Inesquecível!

“De nada adianta tentar pescar só os momentos esplendidos. Deus, às vezes, parece nos falar com mais intimidade quando nos pega, por assim dizer, desprevenidos”. – Essa oração e busca entra no paralelo de obediência ser mais importante e valoriza do que sacrifício vazio. E nisso Deus tem muito mais prazer.

“Acham que esses convertidos só se achegarão se essa religião estiver “demitoligizada” o bastante (Judas 3)”. – Naquela época a “palavra” já era empobrecida para atrair mais seguidores, mesmo que deficientes e pelos sentidos errados.

“Cri em Deus, antes de crer nos céus”. – não é, definitivamente pela dor ou pela premiação, mas sim pelo amor.

“Então os novos terra e céu, os mesmos ainda que não os mesmos que destes, ressuscitarão em nós assim como temos ressuscitado em Cristo. E mais uma vez, depois de sabe-se lá quantos bilhões de anos no silencio e na escuridão, os pássaros cantarão e as águas fluirão, luzes e sombras subirão morro acima, e a face de nossos amigos rira para nós em maravilhado reconhecimento”.

Concluo que as pessoas que realmente tem intimidade real com Deus nunca ficam se vangloriando pelo mundo a fora, simplesmente a praticam, se aniquilam tendo por certo que são muito pequenas, “nada” ante a um Deus tão soberano e infinito. Diminuindo-se, sendo nada para que Deus cresça e seja TUDO!

Grande abraço

Graça e Paz

Murilo

comentários
  1. Michelly Martins disse:

    Fica a dica.
    Tenho que ler esse livro!!!!!
    🙂

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