Belo Exodo

Publicado: junho 12, 2012 em Diversos, Evangelho, Textos

“Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios.” –  Salmo 103.1-2

Muitos de nós nascemos na igreja, ou num lar cristão e temos aprendido desde sempre as verdades maravilhosas do cristianismo, muitos outros vieram de situações diferentes e no decorrer de sua história aceitaram a Cristo e passaram a aprender os novos caminhos. Mas todos nós passamos por um momento em que decidimos de forma praticar a mudar nossos caminhos e definitivamente existirmos como pessoas que tem atitudes que buscam a santidade e imitar os caminhos de Cristo. Partindo desse raciocínio em faço um paralelo com a história do povo judeu que antes era escravo no Egito e de repente se viu livre, provando da dependência da provisão divina a caminho da gloriosa terra prometida que era Canaã.

O Egito era um lugar de escravidão, sofrimento e morte, muito parecido com a vida em meio ao pecado, uma vida de dependência, uma vida onde a natureza humana estava curvada a um senhorio, debaixo de um poder que abusava dos mais fracos para manter os privilégios e os prazeres do mais forte. O pecado faz com que estejamos subjulgados ao poder do mal, e quando vivemos no pecado nos tornamos mais fracos e por fim estamos fazendo tudo o que traz prazer ao inimigo do Reino Eterno.

Deus então se compadece do povo, ouve o clamor dos pequeninos e então envia alguém capaz de liberta-los e leva-los a tão sonhada terra prometida. Esse povo agora entra em ebulição de alegria e regozijo, eles nunca tinham experimentando o que era ser livre, o que não era ter de cumprir ordens de um tirano debaixo de um chicote, trabalhavam todos os dias da semana sem um único descanso, produzindo cotas de dedicação que extrapolavam a capacidade humana.

O povo então é liberto e em pouco tempo, de uma forma absurda passam a ansiar por voltar ao Egito, porque antes tinham cebolas, carne…, passaram a ansiar por necessidades esdrúxulas ante a provisão divinal diária e infalível. Esse povo não se adaptava a liberdade de ter apenas um só Deus, eles precisavam materializar suas dores, eles precisavam materializar suas crenças e suas superstições, chegando ao ponto de criar um Bezerro de Ouro para adora-lo como se fosse o seu senhor.

O que eu vejo é muito parecido com os nossos dias atuais onde somos bombardeados por seitas, crenças e religiosidade que em nada se parece com a libertação que Cristo propõe quando Ele se entrega em morte por nós na cruz. Nossas igrejas estão cheias de regras absurdas de comportamento as quais Deus nunca pediu, cheias de doutrinas bizarras e estranguladoras que usurpam a graça e o perdão divino.

Fico chocado quando vejo escândalos infelizes que aliam o nome de organizações que se dizem em nome de Deus a grupos de narcotráfico e partidos políticos sujos e corruptos. Isso esta a nossa frente todos os dias e essas mesmas organizações esfolam o povo que inocentemente esta preso a pesados fardos de arrecadação financeira, dogmas de fé infundada e indulgencias calculadas a peso de ouro como lenços de papel, meias milagrosas, garrafinhas de suor e os mais ridículos amuletos.

Não é a toa que um numero crescente de pessoas ao nosso redor enxerga os “evangélicos” como um grupo que apoia exatamente o avesso do que Cristo morreu pra libertar, é tão chocante perceber que muitas pessoas que são tidas como não cristãs sabem mais de atitudes cristãs do que o dito povo de Deus.

Tal como o povo judeu que saiu do Egito, nós hoje encontramos-nos em um lugar que podemos chamar de deserto, estamos na terra, não existe um muro que divida as pessoas crentes e as que não são crentes, Deus não fez esse tipo de acepção justamente para que sua palavra pudesse alcançar a todos. Deus se revelou no Sinai, no meio de um deserto, a palavra divina não veio no meio de uma nação, cidade ou província, onde algum grupo pudesse se apropriar daqueles mandamentos e daquela profecia. A palavra de Deus destinava-se a todos, era uma situação de implicações globais, tal como hoje a palavra de Deus deve ser dedicada a todas as pessoas que a decidirem aceitar esse senhorio.

Isso é contrario a maioria do que as igrejas por ai dizem ser e ter, todos são detentores do único caminho que pode levar ao céu, um monte de gente falando que pode comprar propriedades e meios de levar um povo ao mundo eterno, chega a ser idiota essas besteiras que se dizem por ai, e infelizmente o povo encontra-se amarrado, algemado e prezo ao peso de uma cruz que Cristo nunca impôs sobre nós.

O Evangelho e a salvação é graça, graça soberana e limpa, sem custo a não ser o de desejo pelo perdão, arrependimento, entrega de coração e amor. Mais uma vez o Evangelho das Boas Novas se mostra simples e de leve fardo.

O que vejo na cristandade atual é um povo que se esqueceu de Deus, alias acho que nunca buscaram realmente aprender de Deus, saber do único Deus que verdadeiramente nos fez livre, no mesmo instante se esquecermos dessa nossa própria história, esqueceremos-nos de como é ser livre. Logo não saberemos mais como era quando éramos escravos do pecado e em pouco tempo voltaremos a servir num novo tipo de escravidão.

Pior do que nos tornarmos escravos novamente é trazermos pessoas para o nosso meio com a promessa de que elas serão livres e passarmos a cobrar delas coisas que Deus nunca cobrou de nós quando nos fez livres.

“Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.” – Gálatas 6:10

Quando uma pessoa entra no nosso meio é nosso dever trazer a luz do que é a liberdade graciosa da redenção em Cristo, isso não tem nada a ver com milagres, enriquecimento instantâneo e o saneamento de todos os problemas, a riqueza crista não se parece com um mar de rosas, é bem mais próximo de um caminhar solitário em um deserto nada tranquilo, mas que nos levará a terra prometida um dia.

“Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-ás como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR vosso Deus.” – Levítico 19:34

A Bíblia não deixa fugas para a forma que devemos caminhar com nossos irmãos, em amor, unidade, hombridade e sem julgar, pois isso não cabe a nós fazer.

Primeiro precisamos reconhecer a nossa fraqueza e a graciosa misericórdia que Deus teve de nós ao tirar-nos do meio do pecado, depois, a partir dessa perspectiva poderemos levar o amor as pessoas, pois assim conseguiremos falar de Deus como Ele se mostrou a nós quando também éramos fracos e pecadores.

Deus deseja que o Seu povo leve o êxodo aos fracos, como Ele fez a nós, seu povo quando estávamos fracos.

Graça & Paz

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