A Evolução…

Publicado: maio 13, 2015 em Uncategorized

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Lucas 15. 11-32 (A Parábola do Filho Prodigo)

Um empresário bem sucedido começa a passar seus trabalhos e responsabilidades para seus dois filhos, os quais investiu todo o seu carinho e cuidado desde seus nascimentos, quando um deles opta por não fazer parte dessa história e pede que sua herança lhe seja logo dada pra que ele possa viver a sua vida independente e distante dessa história que ele já imagina o fim… ele não quer ser um empresário, ele não quer seguir com os negócios da família, quer simplesmente viver um dia após o outro e ver no que vai dar, afinal ele é jovem e ele não consegue se ver velho…

– Quem é o caçula?

– Quem é o primogênito?

O filho mais velho olha o mundo com uma perspectiva diferente, ele se enxerga tomando conta dos negócios da família, afinal ele já é visto como o “patrãozinho”, todos os respeitam, ele já cursou 2 faculdades, terminou a pós graduação e já toma conta de muitas frentes importantes dos negócios da família, ele é o exemplo de moço correto e responsável com tudo, sério e metódico, enquanto isso seu irmão mais novo é o mais bonito, galanteador, simpático, todos tem empatia por ele na primeira vista, ele conquista todos com sua amabilidade e expansão, e o irmão mais velho fica sempre pensando que podia ser um pouco assim, mas ele tem muitas responsabilidades a exercer e não tem tempo para tolices…

– como é o relacionamento de irmãos de verdade?

Cumplicidade, amizade, companheirismo, saudade…

O irmão mais novo foi embora… Viveu tudo o que podia viver intensamente, enquanto o mais velho ficou em casa trabalhando para a empresa e se dedicando de forma dobrada pra tentar suprir a falta do mais novo e nunca sequer se permitiu chorar de saudade do seu irmão e amigo de outrora… afinal de contas ele se sentia muito melhor do que ele, porque ele nunca abandonou o seu pai pra curtir a vida.

– como o caçula voltou?

O irmão mais moço decide voltar, muitos falam que ele se arrependeu pois não tinha mais dinheiro, tinha fome e pensou na qualidade de vida que os funcionários do seu pai tinham simplesmente por trabalharem na empresa da sua família, gosto de pensar que esses motivos foram relevantes sim, mas existe um motivo que ninguém lembra, o rapaz tinha sentimentos e nesses sentimentos que durante tanto tempo ele tentou esconder havia algo chamado “saudades”, saudades do seu pai, saudades do seu irmão… saudades de casa; Penso em algo que o C.S.Lewis diz: “que todos nós somos criados com uma centelha do divino em nós, afinal de contas recebemos vida por um sopro divino”, isso me faz conectar com o que temos de céu em nós, apesar de muitas vezes buscamos lutar contra vir para Deus, existe uma sensação de algo faltando em nós e isso pra mim é pura e simplesmente saudades do Céu

Pior do que a fome, pior do que o frio, de não ter um abrigo ou um pão, o jovem tinha algo muito mais doido e sofrido corroendo sua alma, ele sofria de saudades, abrindo um parênteses, penso nas pregações que tentam nos fazer aceitar a Cristo por meio da escatologia terrorista, quando as pessoas usam o livro de apocalipse para pregar o terror eterno aos que não subirem ao céu, Jesus é o ser mais amoroso que pode existir, pior do que passar a eternidade no fogo do inferno é passarmos a eternidade longe do amor e do abraço de Jesus, creio que isso nos convence muito mais a sermos santos por amor do que por medo

 

– Meu irmão voltou, e agora?

O irmão mais velho fica sabendo por alguém do escritório que seu irmão mais novo voltou e que todos foram pra uma churrascaria comemorar esse momento tão feliz, ele fica muito chateado com seu pai, porque nunca usou os cartões corporativos da família pra fazer algo pra si mesmo com seus amigos, penso que sequer ele tinha amigos, afinal de contas trabalhava tanto que não tinha tempo pra perceber sentimentos de amizades, ele não era amigo nem de seu próprio irmão, quem dirá de alguém fora de sua casa…

Me identifico muito mais com o irmão mais velho, não tenho uma história de aventura fora da igreja, sou filho de pastor, minha conversão a Jesus não passou por nenhuma grande transformação, onde eu tenha deixado praticas horrendas e simplesmente me tornado santo, cresci não jogando bola, não falando palavrão, típico filho de crente… sem graça, nem me lembro quando finalmente entreguei minha vida a Jesus, lembro sim de um tempo onde percebi que eu era responsável por ser alguém mais santo e buscar a Jesus de forma pessoal, não na dependência do peso da minha família… e isso não tem nada de miraculoso, simplesmente uma mudança de pensamento… chato

– Eu sou o mais velho?

 

Até ai eu fico apontando para as pessoas que eu vejo pecadoras entrando dentro da igreja e de um dia pro outro são batizadas com o espirito santo, falam em línguas, profetizam e eu … nada, não tenho revelações, sonhos, nada ?! E pior começo a me cobrar e a cobrar Deus por que ele faz isso com essas pessoas que são ex-drogados, ex-promiscuos e eu que fiquei na igreja a vida inteira tentando fazer o certo… enfim, não sou santo, tive meus deslizes, mas são justificáveis afinal eu sempre fui certinho, pior do que ser pecador por fora é ser por dentro e isso nós que nunca saímos da igreja, somos especialistas em ser..

Existe no meio dessa história uma terceira pessoal que podemos nos tornar, são aqueles filhos que vieram de fora, entraram, receberam o primeiro amor e viveram a revolução da libertação, mas ai entram na rotina do ativismo e se tornam como o filho mais velho, chatos, carrancudos e santarrões

Mas onde eu quero mesmo chegar é em algo que venho percebendo ao longo da caminhada e tentando sempre olhar pra Jesus, a vida cristã é algo que ascende, é uma subida de degrau em degrau e isso leva tempo e amadurecimento e cada um tem o seu tempo para isso, não da pra dizer o quanto vai demorar…

A figura do pai que perdoa é a imagem mais bela dessa história, pouco importa os pecados de um filho ou do outro filho, importa o pai que sempre acreditou que o seu filho voltaria, importa o pai que permitiu que seu filho mais velho assumisse seus negócios e lhe deu um voto de confiança mesmo que o mais velho nunca tenha sido seu amigo de verdade durante toda essa historia de trabalho, ambos estavam perdidos, ambos estavam sozinhos na relação, ambos não conheciam o amor de seu pai e ambos necessitavam de arrependimento e um retorno, e o pior, se é que há um pior nessa historia era o que durante anos se dedicou ao trabalho e no fim ainda tenta argumentar o perdão incondicional ao seu irmão.

Romanos 15.7 “Portanto, aceitem-se uns aos outros, da mesma forma com que Cristo os aceitou, a fim de que vocês glorifiquem a Deus.”

Esse é o tipo de posição que só alguém que se coloca acima da posição de juiz e passa a ser um pai amoroso pode fazer, esquecendo os pecados e os defeitos do seu irmão, esquecendo a culpa por nunca ter simplesmente disfrutado da casa do seu pai e passando assim a amar o próximo, com um amor simples e tocante, perdi anos da minha vida cristã e por vezes ainda caio em julgar alguém que tem uma transformação miraculosa e vem pra Cristo e passa a viver uma vida maravilhosa de experiências sobrenaturais, o mais sobrenatural que podemos viver é o perdão de Cristo sobre nós diariamente quando insistimos nos mesmos pequenos pecados e falhas e mesmo assim quando subimos a frente da igreja pra cantar sentimos seu poder fluindo em nós e através de nós, que o nosso coração seja contrito e não mais nos sintamos como o filho moço ou o filho mais velho, mas possamos sentir que somos um pai para nossos irmãos que ainda não entenderam a maturidade da vida crista e estão no mesmo processo que nos já passamos a algum tempo a trás, somos todos falhos, fracos e passiveis de pecado e só o reconhecimento dessa fraqueza é que nos permite chegarmos a Deus de peito aberto pra receber seu amor ao qual não merecemos…

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